Capacitação em primeiros socorros

Fraternidade – Missões Humanitárias Internacionais (FMHI) esteve presente na capacitação em primeiros socorros realizada na Base Ayrton Senna, em Boa Vista (RR), por meio de suas servidoras humanitárias Maria Alida, Aajhmaná e Chantal. A formação ocorreu nos dias 14 e 15 de janeiro e foi solicitada pela Força-Tarefa Logística Humanitária ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), com o objetivo de fortalecer o preparo das equipes que atuam nos abrigos.

A capacitação reuniu integrantes da Força-Tarefa Logística Humanitária e representantes de organizações humanitárias, além de militares da Marinha, da Aeronáutica e do Exército Brasileiro. Também estiveram presentes representantes das organizações PiriLampos e AVSI, ampliando o diálogo e a articulação entre diferentes frentes de atuação humanitária em Boa Vista (RR).

Conduzida por profissionais do SAMU, entre bombeiros, enfermeiros, técnicos e integrantes da coordenação local, a oficina abordou conteúdos fundamentais para o atendimento inicial em situações de emergência, como o reconhecimento de parada cardíaca, reanimação cardiopulmonar (RCP), técnicas de desengasgo, atendimento a desmaios, crises convulsivas, identificação de acidente vascular encefálico (AVE) e contenção de hemorragias. O foco foi oferecer orientações práticas e acessíveis, voltadas à tomada de decisões rápidas e seguras no cotidiano dos abrigos.

Segundo Aajhmaná, a formação teve duração aproximada de quatro horas e combinou explicações teóricas com atividades práticas. “O que mais marcou foram as práticas de RCP e as orientações sobre como agir em situações de engasgamento, especialmente com crianças”, relata. Ela destaca que, considerando o tempo disponível e a variedade de temas, a capacitação teve caráter introdutório, oferecendo uma base comum para pessoas com diferentes níveis de conhecimento prévio.

O conhecimento em primeiros socorros é essencial para a atuação em situações de emergência e em contextos de resposta humanitária, onde o tempo e a clareza de ação podem salvar vidas. Ao adquirir noções práticas para reconhecer sinais de gravidade, realizar intervenções imediatas e decidir quando acionar o serviço especializado, as equipes ampliam sua capacidade de cuidado e proteção das pessoas acolhidas. Em ambientes como os abrigos, marcados por vulnerabilidades, fluxos intensos e situações imprevisíveis, esse preparo contribui para reduzir riscos, fortalecer a autonomia dos agentes humanitários e garantir respostas mais seguras, humanas e responsáveis diante de episódios críticos.

Para Aajhmaná um dos pontos centrais da formação foi justamente criar uma ponte entre quem atua diretamente na Operação Acolhida e o serviço de emergência. “A ideia é que possamos fazer um primeiro atendimento, uma primeira abordagem, antes do encaminhamento para o serviço especializado”, explica.

Durante a capacitação, foram discutidos critérios práticos para decidir quando acionar o SAMU e quando realizar apenas o acompanhamento inicial. Situações como engasgamentos, convulsões e desmaios foram detalhadas a partir de exemplos do cotidiano. Aajhmaná lembra que, em casos de engasgamento, por exemplo, a intervenção imediata pode ser decisiva, já que o tempo de espera por uma ambulância pode ser crítico. No caso das convulsões, foram apresentados parâmetros para avaliar a gravidade e a necessidade de atendimento emergencial.

Outro ponto destacado foi o atendimento telefônico 24 horas oferecido pelo SAMU, com orientação direta de profissionais de saúde, inclusive médicos, que podem auxiliar na tomada de decisão enquanto a equipe está no local. “Isso ajuda muito a dar mais segurança para quem está na linha de frente”, afirma Aajhmaná.

Ao final, ela avalia a experiência de forma positiva. “Valeu a pena. Foi uma formação importante para quem trabalha nos abrigos e lida diariamente com situações imprevisíveis. Ter essas noções básicas faz diferença na hora de cuidar das pessoas, sobretudo em situações de respostas humanitárias”, conclui.